terça-feira, 5 de maio de 2026

Magnífico texto de Bernardino Barros.

"O Vigor do Norte e a Justiça do Relvado"
Muito se vociferou ao longo desta época; uma hostilidade gratuita, destemperada, dirigida ao clube, ao seu timoneiro e aos seus intérpretes. Contudo, o tempo — esse magistrado supremo e fator mágico quando manuseado com o bom senso que a muitos escasseia — encarrega-se invariavelmente de repor a verdade e colocar cada um no seu devido lugar.
E a verdade, nua e crua, é esta: o FC Porto é um justo campeão. Um triunfo parabenizado pelos adversários leais e reconhecido por todos, exceção feita, naturalmente, à vasta legião de tolos que pululam por aí.

A Falácia da "Lufada de Ar Fresco"
Convém sublinhar o ponto fulcral: a tal "lufada de ar fresco" que os profetas da desgraça e os arautos da baboseira prognosticavam teve a duração de um fósforo. E ainda bem! Das loas iniciais e dos elogios encomendados, chegámos ao fim deste ciclo de nove meses com a narrativa alterada: agora, a ordem é acusar André Villas-Boas de ser um "clone" de Jorge Nuno Pinto da Costa.
Tudo isto porquê? Porque os cantos de sereia da imprensa centralista — essa máquina persecutória e visceralmente hostil — não conseguiram estremecer os alicerces do universo portista. Rapidamente se percebeu que a imprensa lisboeta mantém o velho paradigma das relações ibéricas de antanho: "De Espanha, nem bom vento, nem bom casamento". Da capital, para nós, o vento sopra sempre carregado de bafio.

O ADN do Burgo e o Equívoco dos "Paineleiros"
Ainda ontem, um qualquer comentador "paineleiro" — desses que, de cátedra, debitam sentenças em estúdios alcatifados — aludia à tese de que o FC Porto deveria abandonar a "mania da perseguição" e deixar de "pensar pequeno". Engana-se redondamente. No burgo portucalense, o ADN é precisamente este: o nosso bairrismo nortenho não é um isolacionismo estéril, mas sim uma ligação umbilical e emocional profunda à terra e à comunidade.
Ser do Norte é carregar a herança de quem nunca se submeteu ao jugo fácil; é manter uma lealdade inabalável às raízes. Quem não alcança esta dimensão antropológica, não nos percebe, nem nunca nos perceberá. O conselho que dou é simples: estudem a História.

A Apoteose do Povo
Por isso, festejar um título será sempre a mesma catarse coletiva. É o povo na rua, a pele pintada com as cores do destino, os carros engalanados e o sorriso de orelha a orelha de quem sabe o que custa a vitória. É o grito que sai das entranhas, a plenos pulmões: "SOMOS CAMPEÕES, CARAGO!"

Somos campeões com justiça, sem mácula e, evocando a memória do eterno Zeca Afonso, cantaremos sempre: "Venham mais uns tantos de uma assentada, que eu festejo já!"

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