segunda-feira, 19 de junho de 2017

Querem reabrir o Apito Dourado? Eu também

Querem reabrir o Apito Dourado? Eu também.
Começamos então por isto Luís Filipe Vieira.
Quando decidirem reabrir o processo, tenham encarecidamente o favor de explicar - à Justiça e ao público em geral, não só aos cordeiros de sempre - o seguinte:

- Que fazem na candidatura de honra de Luís Filipe Vieira 12 agentes e inspectores da Polícia Judiciária, alguns dos quais envolvidos directamente no processo de investigação do Apito Dourado?

- Porque não se constituiu como arguido o seu amigo António Salvador, que numa das escutas aparece a exigir que não quer três árbitros dos nomes propostos por Pinto de Sousa - Pinto da Costa não quer um deles na mesma sequência de escutas - e que desde então parece ter florescido como dirigente, sendo que uma das suas empresas de construção, Britalar, foi também responsável pela obra desse maravilhoso centro de formação do Seixal?

- Porque não se constitui arguido José Veiga, amigo da alma de Luís Filipe Vieira e seu braço direito desportivo então, que também surge em escutas a pedir árbitros para determinados jogos e, árbitros que favorecessem o Benfica, com quem aliás o presidente do Benfica jantou em diversas ocasiões e cenários, do sul ao norte do país, com o Presidente e vogais do Conselho de Arbitragem em Lisboa antes da nomeação de vários árbitros para jogos decisivos, tanto próprios como dos dois rivais na luta pelo título de 2004/05?

- O celebre "Estorilgate" e os comentários de técnicos do clube da Linha sobre como o processo foi conduzido, incluindo uma promessa falhada de contratação de um jogador que se revelou fundamental nessa derrota do seu clube.

- Quem pagou um adiantamento a Carolina Salgado, e ao progenitor da mesma, depositado num banco espanhol da fronteira para não levantar suspeitas, antes do lançamentos das acusações que acabaram em livro, filme e novela?

- Será que as escutas completas nos vão permitir comprovar quem, como presidente do Alverca, andou duas temporadas envolvidas em compra de jogos envolvendo o Beira-Mar, Salgueiros, Vitória de Setúbal, Marítimo e Campomaiorense, através do aliciamento de jogadores, técnicos, árbitros ou dirigentes dos distintos clubes em modo de pagamento de promessas de favores, um esquema aparentemente agora repetido a maior escala. Seria curioso não seria?

Se quiserem começar por estes míseros pontos de investigação, bastante mais profundos e complexos do que os supostos favores, nunca confirmados, para que uma equipa que em dois anos venceu dois troféus continentais - o tipo de títulos que Luís Filipe Vieira anda há quinze anos a prometer sem êxito aos seus - disputasse dois jogos irrelevantes na sua corrida a dois títulos conquistados com enorme facilidade face à sua imensa superioridade sobre os rivais, sou totalmente a favor da reabertura do processo Apito Dourado.
Pode ser que com as escutas completas, sem serem editadas em programas de software e divulgadas a membros da imprensa amiga que por sua vez ajudaram a dar eco através de redes sociais, tudo isso venha à tona e se saiba um pouco mais do que se passou nesses anos "infames", onde o Porto era "Palermo", sobre o dia a dia da vida do Benfica e dos seus dirigentes. A não ser que, como os emails, se lembrem de dizer agora que essas escutas também eram "ilegais" e portanto já não valem como prova. Não surpreenderia ninguém pois não?

Em caso de dúvidas, se não souberem que fazer, pensem sempre que Luis Filipe Vieira é um homem decidido e determinado e que em momentos de aperto tem sempre resposta na ponta da língua, do estilo... "o João, sim...pode vir o João"!

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Reabertura do Apito Dourado?

A realizar-se, pode ser que desta vez passe de Leiria para baixo e se descubra Luís Filipe Vieira ao telefone com Pinto de Sousa, ex-presidente do Conselho de Arbitragem da FPF, a escolher/exigir um árbitro: "o João, pode ser o João Ferreira"...
Quem não o conhecer que o compre...!!!

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Apito encarnado: Sujidade no futebol

Agora é a sério by Jorge Maia
Os emails revelados ontem pelo FC Porto dão conta de uma rede de influências que, a existir, coloca em causa todo o edifício do futebol português
Além de envolverem nomes com ligações irrefutáveis ao Benfica e à respectiva estrutura, os emails revelados ontem pelo FC Porto aprofundam e concretizam as suspeitas levantadas na semana anterior. A confirmar-se a veracidade dos mesmos, está em causa, não apenas a influência de um clube sobre o sector da arbitragem considerada de forma genérica, mas também através de intervenções concretas e definidas. Desde logo no sistema de avaliação dos árbitros, que foi definindo o quadro de juízes actualmente sob a alçada do Conselho de Arbitragem, promovendo uns e despromovendo outros, melhorando algumas notas e, inevitavelmente, prejudicando outras. A ideia de que uma avaliação pode ser modificada através da mobilização das influências certas descredibiliza todo o sistema que vigorou nas últimas épocas e acentua as suspeitas levantadas por casos como os de Marco Ferreira. Tanto como a revelação de que haveria delegados que solicitavam a intervenção de dirigentes encarnados junto do presidente da Liga, no sentido de garantirem a respectiva nomeação para jogos da I Divisão. Ora, todos sabemos que não há almoços grátis, que uma mão lava a outra e que cada um colhe o que semeou. Até por isso, mas sobretudo porque as revelações feitas ontem pelo FC Porto levantam suspeitas que colocam todo o edifício do futebol português em causa, convém que as autoridades judiciais, mas sobretudo a Federação Portuguesa de Futebol intervenha rápida e decisivamente no sentido de esclarecer exactamente o que aconteceu nos últimos anos.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Futebol - Benfica controla árbitros

As missas negras de Adão Mendes by José Manuel Ribeiro
O apuramento da raça e a confiança ilimitada do Benfica na arbitragem
O FC Porto divulgou, ontem, um pingue-pongue de e-mails entre o ex-árbitro Adão Mendes e o director da Benfica TV, e comentador, Pedro Guerra. Esses e-mails falam, sobretudo, de uma confiança sem limites na arbitragem, especialmente bem traduzida por uma frase que vem ao encontro de um diagnóstico feito, desde há alguns anos, por muita gente ligada aos apitos e que (não duvido) esteve na origem do afastamento do anterior presidente do Conselho de Arbitragem: "Vamos ter os padres que escolhemos e ordenámos nas missas que celebramos." (Aqui devemos marcar um limite: nas conversas reveladas pelo FC Porto, são mencionados oito árbitros, mas isso não faz deles culpados.) A tese de que houve uma espécie de apuramento cuidadoso da raça nos últimos anos, levando à constituição de um lote de árbitros de acordo com gostos muito específicos, não é estranha a ninguém, nem à FPF, nem ao actual Conselho de Arbitragem, que enfrenta esse problema a cada nomeação. Eu próprio escrevi sobre o tema várias vezes, até para explicar a prisão de movimentos do CA de Fontelas Gomes, e nunca recebi reclamações. O diálogo de Adão Mendes com Pedro Guerra, datado de 2013/14, vem apenas tornar mais desconfortável a posição de quem não quer explicar como acabou o futebol profissional nesta camisa de forças, manietado ao ponto de ser irrelevante quem preside ao CA. A conversa está ali, existe (como existem as escutas do Apito Dourado, sim, e essas foram julgadas), provavelmente passará em claro na Imprensa de Lisboa, porque é assim a vida, mas era bom, num mundo perfeito, que esclarecêssemos bem esclarecida essa confiança tão grande de Adão Mendes na arbitragem e também, se não for já muito incómodo, quem castiga, afinal, os incautos que ainda se atrevem a prejudicar o Benfica.