domingo, 16 de agosto de 2026

Quem pretende vender Rodrigo Mora em saldo?

Um texto de opinião por Tiago Silva idóneo (exemplar) adepto do FC Porto

Há declarações que são difíceis de compreender. Estas são difíceis de aceitar.
O advogado de Rodrigo Mora veio publicamente dizer que o jogador está triste porque quer jogar, que já percebeu que passou de segunda para terceira opção, que Farioli não conta com ele e que o valor pedido pelo FC Porto é irrealista.
Ou seja, o representante de um jogador do FC Porto vai à televisão desvalorizar publicamente o ativo que representa e oferecer ao potencial comprador todos os argumentos para tentar baixar o preço exigido pelo clube.
Se o objetivo era ajudar Rodrigo Mora, o resultado foi extraordinário pois as declarações atravessaram imediatamente a fronteira e chegaram ao Corriere dello Sport, onde já se escreve, com base nelas, que “só Mendes consegue 50 milhões por um suplente” e que Mora é “a terceira escolha de Farioli”.

Negociação internacional feita em direto na televisão portuguesa mas com o FC Porto sentado apenas do lado de quem é suposto baixar o preço. E depois temos a parte da tristeza.
Rodrigo Mora está triste porque não é titular? Claro que está. E ainda bem. Tristes estarão praticamente todos os jogadores que ficam no banco.

Mas num clube profissional, e sobretudo num clube com a exigência do FC Porto, a tristeza não pode ser argumento, muito menos instrumento de pressão pública.
Deve ser combustível para trabalhar mais.

Se um jogador acha que merece jogar, a resposta é simples, que dê à perna, trabalhe, melhore e obrigue o treinador a mudar de opinião.

O futebol de alto nível não funciona com hierarquias atribuídas por direito adquirido, nem com lugares garantidos porque alguém decidiu atribuir a um jogador o estatuto de prodígio.
E Rodrigo Mora também não pode ficar completamente à margem disto.
Quando alguém fala publicamente em seu nome, descreve o seu estado de espírito, afirma que o jogador já percebeu que será terceira opção e põe em causa o valor pedido pelo FC Porto, o silêncio do jogador acaba inevitavelmente por ser interpretado como concordância.
Se não se revê nestas declarações, deve dizê-lo.
Porque defender os interesses de um jogador é uma coisa.
Transformar a tristeza de não jogar numa campanha pública e, pelo caminho, desvalorizar o próprio jogador para pressionar o FC Porto a vendê-lo mais barato é outra completamente diferente.
E há ainda uma última nota.
Nunca vi tantos comentadores benfiquistas e sportinguistas tão empenhados em defender um jogador do FC Porto como agora acontece com Rodrigo Mora.
Chega a ser comovente.
Nós sabemos perfeitamente o que pretendem mas estão a bater à pior porta possível.
Acima do FC Porto, ninguém.

Sem comentários: