Um texto de opinião por Tiago Silva idóneo (exemplar) adepto do FC Porto
Há declarações que são difíceis de compreender. Estas são difíceis de aceitar.
O advogado de Rodrigo Mora veio publicamente dizer que o jogador está triste porque quer jogar, que já percebeu que passou de segunda para terceira opção, que Farioli não conta com ele e que o valor pedido pelo FC Porto é irrealista.
Ou seja, o representante de um jogador do FC Porto vai à televisão desvalorizar publicamente o ativo que representa e oferecer ao potencial comprador todos os argumentos para tentar baixar o preço exigido pelo clube.
Se o objetivo era ajudar Rodrigo Mora, o resultado foi extraordinário pois as declarações atravessaram imediatamente a fronteira e chegaram ao Corriere dello Sport, onde já se escreve, com base nelas, que “só Mendes consegue 50 milhões por um suplente” e que Mora é “a terceira escolha de Farioli”.
Negociação internacional feita em direto na televisão portuguesa mas com o FC Porto sentado apenas do lado de quem é suposto baixar o preço. E depois temos a parte da tristeza.
Rodrigo Mora está triste porque não é titular? Claro que está. E ainda bem. Tristes estarão praticamente todos os jogadores que ficam no banco.
Mas num clube profissional, e sobretudo num clube com a exigência do FC Porto, a tristeza não pode ser argumento, muito menos instrumento de pressão pública.
Deve ser combustível para trabalhar mais.
Se um jogador acha que merece jogar, a resposta é simples, que dê à perna, trabalhe, melhore e obrigue o treinador a mudar de opinião.
O futebol de alto nível não funciona com hierarquias atribuídas por direito adquirido, nem com lugares garantidos porque alguém decidiu atribuir a um jogador o estatuto de prodígio.
E Rodrigo Mora também não pode ficar completamente à margem disto.
Quando alguém fala publicamente em seu nome, descreve o seu estado de espírito, afirma que o jogador já percebeu que será terceira opção e põe em causa o valor pedido pelo FC Porto, o silêncio do jogador acaba inevitavelmente por ser interpretado como concordância.
Se não se revê nestas declarações, deve dizê-lo.
Porque defender os interesses de um jogador é uma coisa.
Transformar a tristeza de não jogar numa campanha pública e, pelo caminho, desvalorizar o próprio jogador para pressionar o FC Porto a vendê-lo mais barato é outra completamente diferente.
E há ainda uma última nota.
Nunca vi tantos comentadores benfiquistas e sportinguistas tão empenhados em defender um jogador do FC Porto como agora acontece com Rodrigo Mora.
Chega a ser comovente.
Nós sabemos perfeitamente o que pretendem mas estão a bater à pior porta possível.
Acima do FC Porto, ninguém.
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