quinta-feira, 14 de abril de 2016

Coerência de Vieira ou falta dela

Mudam-se os tempos mudam-se as vontades (Conveniências de L.F.Vieira)
Memórias por Jorge Maia
A preocupação de Luís Filipe Vieira com a credibilidade das competições é um fenómeno recente
Alguém disse uma vez que o segredo para uma consciência tranquila é uma má memória. Tome-se como exemplo as declarações de Luís Filipe Vieira, ontem, em Ansião. O presidente do Benfica mostrou-se preocupado com o clima de suspeição que se vive no futebol português, questionando até que ponto "os principais parceiros, que são a MEO e a NOS, vão continuar a estar disponíveis para investir, quando todos os dias algumas pessoas tentam desacreditar esta indústria e quem está à frente das respectivas instituições". Palavras inquestionavelmente sensatas.
Claro que há cerca de três meses era Luís Filipe Vieira quem dizia que gostava de ver "nas manchetes dos jornais desportivos o título "roubo" em letras bem grandes". Roubo, nada menos. Aconteceu na sequência do jogo com o Rio Ave, da 14.ª jornada, apitado por Manuel Oliveira, que, por sinal, os encarnados venceram por 3-1, tendo o presidente do Benfica dado a entender que ficaram por marcar três grandes penalidades a favor do Benfica. "O mais estranho", acrescentou na altura, "é que o líder dos árbitros é o mesmo da última época." Portanto, suspeitas de roubos e críticas ao líder da arbitragem: assim de repente, parece ser a própria matéria de que é feita a desacreditação da indústria e de quem está à frente das respectivas instituições, não?
Curiosamente, essas declarações do presidente do Benfica foram produzidas cerca de uma semana depois de anunciado o acordo milionário do clube com a NOS, um dos tais parceiros do futebol português que agora preocupam o presidente encarnado, mas que na altura não o impediram de disparar contra a arbitragem. Claro que Luís Filipe Vieira não é um caso isolado a este nível. Numa altura ou noutra, já todos os dirigentes de todos os clubes se queixaram da arbitragem, lançando suspeições sobre a indústria e sobre quem dirige as instituições. Se ao fim de tantos anos o continuam a fazer, é por sentirem que a coisa resulta. Como? Quando Luís Filipe Vieira pediu aos jornalistas para fazerem manchetes com o título "roubo" em letras bem grandes, o Benfica estava no terceiro lugar a cinco pontos do líder. Agora que está preocupado com a credibilidade da indústria, o Benfica é líder com dois pontos de vantagem sobre o segundo. Não é assim tão surpreendente que outros tentem a sua sorte.
(Com sublinhados meus a grosso)

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