terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Facciosismo dos calimeros

NORTADA excerto da crónica de Miguel Sousa Tavares
1 A Académica marcou um golo considerado irregular em Alvalade, mas que, nas contas finais, não contou para nada: o Sporting não perdeu nenhum ponto com isso. Foi um off-side daqueles descarados? Não, foi apenas um off-side de posição, sem que o jogador tenha tocado na bola. O escândalo, como logo foi classificado, resumiu-se a uma questão de interpretação subjectiva: terá ele, mesmo sem tocar na bola, interferido no lance? O árbitro achou que não; os sportinguistas, a crítica e o empenhadíssimo relator da Sport TV (que fez daquilo um caso de vida ou de morte) acharam que sim. Não contesto nem deixo de contestar a razão deles, mas duvido que muitos árbitros internacionais anulassem o golo. Porque falta dizer o principal: o escandaloso erro do árbitro, de que chegaram a dizer ter sido voluntário, não foi nada comparado com os dois erros da defensiva sportinguista: primeiro, o erro de Rui Patrício, afastando a bola para a zona de recarga; depois o erro de Ewerton, que, sem ser carregado, cabeceou para trás, para o golo. Grande escândalo, sim senhor! E os dois penalties claros por assinalar a favor do FC Porto na jornada anterior, mais dois off-sides inexistentes que foram marcados ao seu ataque em jogadas de perigo iminente? Porque razão é escandaloso para uns o que para outros são apenas acidentes do jogo? Mas compreendo bem a razão do habitual alarido dos sportinguistas: mesmo que os danos tenham sido nulos, convém acumular capital de queixas para ser devidamente usado em breve. Só não compreendo é que a imprensa alimente a perigosa fogueira que semana após semana é ateada pelos responsáveis de Alvalade. E depois queixam-se de que o clima está irrespirável…

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