sábado, 21 de julho de 2012

FC Porto 3 Celta de Vigo 0

Cada golo foi uma obra de arte à sua maneira. O primeiro, de Lucho, um hino ao primeiro toque: El Comandante combinou com Jackson, que lhe devolveu a bola. Lucho tabelou depois com James, que o isolou de calcanhar para o toque de finalização. A bola ainda bateu num defesa galego, mas isso não anula o efeito de uma jogada desenhada ao primeiro toque.
Havia mais para ver. Dez minutos depois, nascia outra obra de arte. A irreverência de Kelvin garantiu uma falta, ainda longe da baliza do Celta, mas não suficientemente distante para abalar a confiança de Maicon. O brasileiro está de pé quente nos livres: partiu para a bola com força, mas surpreendeu mais pelo jeito. Um arco improvável tornou esse pontapé num golpe certeiro, com a bola a entrar juntinho ao poste, de pouco valendo ao guarda-redes esticar-se. E, de repente, há especialista em livres no Dragão, coisa que não se via nos últimos anos...
Ainda os adeptos portistas recuperavam o fôlego desse lance e já os olhos se arregalavam outra vez. Um minuto depois do golo de Maicon, Iturbe roubou a cena. Mas, primeiro, roubou a bola. Arrancou com ela antes da linha do meio-campo, driblou um, dois, iludiu um terceiro e ainda um quarto adversário que procurava barrar-lhe a entrada na área. Tudo pela zona central do terreno. Deixados esses adversários para trás, bem ao jeito de Messi, Iturbe deu um toque subtil que tirou o guarda-redes do caminho.
Esses três momentos permitiram ao FC Porto somar a terceira vitória da pré-temporada, num jogo que até nem começou nada bem para os portistas. O relvado ajudava a explicar parte de um arraque discreto, mas não chegava para justificar tudo, porque o Celta, no mesmo relvado, conseguia criar algum perigo e, mais importante ainda, barrava as subidas de Mangala e sobretudo de Djalma, asfixiando o jogo dos dragões.
Vítor Pereira levantava-se e pedia um carrossel, que tinha movimentações de James, Atsu e também de Lucho e Defour, mas o jogo portista estava perro. Aos poucos, Djalma conseguiu libertar-se e, então sim, já na parte final da primeira parte, os dragões começaram a dar um ar da sua graça. Djalma e James tiveram as melhores oportunidades; Atsu justificava as razões da continuidade no onze e Fabiano também dava sinais de tranquilidade na baliza.
Pouco depois do intervalo, houve a estreia mais aguardada: Jackson substituiu um Kléber que estava algo perdido na área. O colombiano entrou a par de Kelvin e os dois começaram logo a agitar as coisas, com Jackson a participar, 12 minutos depois de entrar, no primeiro golo. Foi uma participação de raspão, é verdade, mas também conta. De Kelvin já se disse ter sido ele a arrancar o livre.
O Celta tinha mudado o onze todo, mas era o FC Porto, com menos alterações, quem mostrava frescura, dominando as operações.
Ainda sem parte do esqueleto principal (Hulk, Danilo, Moutinho...), este dragão dá sinais evidentes de ter alternativas de qualidade, o que também não deixa de ser animador para quem está sujeito aos movimentos de mercado. Há jovens com talento a pedir asas para voar...

1 comentário:

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