sexta-feira, 6 de junho de 2008

Depoimentos(opiniões) de personalidades diversas

Ao contrário do que aconteceu em sede de Comité de Controlo e Disciplina, o Comité de Apelo da UEFA, a próxima instância de recurso para o caso em apreço, deverá debruçar-se sobre as questões jurídicas que envolvem todo o processo e que são a base do recurso a apresentar pelo FC Porto. O Comité é constituído por 11 elementos de outras tantas nacionalidades, quase todos juristas, incluindo o juiz português António Mortágua.
Será que este juiz António Mortágua também é benfiquista?
José Leite Pereira, Director JN (depoimento)
Bode expiatório à medida
A exclusão do FC Porto da Liga dos Campeões suscita-me três comentários:
- Custa-me a aceitar que tenha sido tomada uma decisão quando, a nível interno, nada está ainda encerrado. Claramente, a UEFA aproveitou para mostrar os dentes a todos os seus filiados e nada melhor do que um bode expiatório com o peso do FC Porto: ex-campeão europeu, fundador do odiado G-14 e pertencente a um país pequeno. Idêntica decisão não tomou a UEFA em relação à Juventus. A decisão não é, por tudo isto, juridicamente fundamentável.
- Se se tornar definitiva, esta decisão é muito má para o futebol português. Nenhum outro clube, como o FC Porto, conseguiu ir tão longe nas competições europeias. E se, num campeonato limpo como foi o deste ano, o FC Porto teve o avanço que teve, isso significa claramente que nenhum outro clube está à altura, nos próximos anos de um representação de igual nível, o que é mau para o futebol português.
- Como portista, tenho pena. Pena que o meu clube passe por cometer ilegalidades antes mesmo de elas estarem provadas. Seria o primeiro a aplaudir punições que fossem provadas. Acontece que esta questão foi tratada pela justiça ao nível de um Benfica-Porto e parece que o peso dos seis milhões de adeptos fez inclinar a balança para um dos lados. Como sempre acontece, o FC Porto saberá levantar-se. Eventualmente mais forte.
Pedro Tadeu, Director 24 Horas
Descarada injustiça
O jornal que dirijo, o 24horas, não tem relações institucionais com o FC Porto há já cinco anos. Isto quer dizer que, desde essa altura, ninguém do FC Porto presta declarações ao 24horas nem nenhum jornalista do 24horas é autorizado a entrar nas iniciativas públicas do clube, excepto naquelas em que o exercício do direito de acesso à informação regulamentado em Lei coloca os dirigentes dos dragões na posição de ter de aturar os "incómodos" jornalistas do 24horas. Isto, por um lado, nunca nos impediu de ter um noticiário rico e actualizado sobre o FC Porto e, por outro lado, garante aos leitores do 24horas que o jornal não deve qualquer favor ao FC Porto.
Com este pressuposto passo a expressar aqui a minha profunda indignação face às manifestações de alegria que gente com cargos de responsabilidade neste país, mas cega pelo vírus da clubite, seja no mundo do futebol, seja no mundo dos jornais, manifesta, com maior ou menor evidência, com a punição que a UEFA decidiu aplicar ao FC Porto. Como portugueses, não prestam.
Declaro também a minha indignação pelo que me parece ser um óbvio critério discriminatório dos dirigentes da UEFA. Quando aconteceu o escândalo de corrupção do futebol italiano, em 2006, o AC Milan foi punido em Itália com perda de pontos mas disputou a Liga dos Campeões. Na altura, os senhores da UEFA arranjaram a desculpa de que não havia um regulamento que permitisse a expulsão do AC Milan, coisa que até parece anedota. Esse regulamento foi entretanto criado e agora o FC Porto, numa situação semelhante, é punido por acontecimentos ocorridos em 2004, antes ainda do escândalo italiano. Pensam os juristas da UEFA que esse regulamento novo pode ter um efeito retroactivo o que é bizarro. Mas o mais grave é que, na prática, essa bizarria aplica-se ao FC Porto mas não se aplica ao AC Milan. Isto, para o senso comum, significa que a UEFA teve dois pesos e duas medidas, que favoreceu os italianos e prejudicou os portugueses. Isto é dizer que a Justiça não é cega. Isto é, objectiva e factualmente, uma descarada injustiça.
Em todo este longo processo, que começou no chamado "Apito Dourado", os dirigentes dos clubes portaram-se mal, os árbitros portaram-se mal, os magistrados e investigadores da PJ portaram-se mal, os jornalistas portaram-se mal, os dirigentes da Liga e da Federação portaram-se mal, os órgãos de Justiça do futebol português portaram-se mal. Agora, a UEFA, portou-se mal. Está certo.
Paulo Baldaia, Director TSF
Justiça 'à la carte'
Deixo de lado a questão de saber se o Futebol Clube do Porto e o seu presidente, Jorge Nuno Pinto da Costa, são ou não culpados de tentar "comprar" uns árbitros num ano em que tinham a melhor equipa de Portugal e da Europa, treinada pelo "Special One". E faço-o por uma questão de justiça. Afinal, todos somos inocentes até prova em contrário. Sobre esta matéria não há decisões finais.
A UEFA podia, e devia, ter seguido este princípio mas optou por o não fazer, porque parece estar interessada em encontrar um "bode expiatório" que a ajude a transmitir uma imagem de justiça que não tem.
O Porto não recorreu, é verdade! Mas se Pinto da Costa vier a ser absolvido, isso não significa que o clube foi castigado injustamente?
As regras a que se agarram os senhores de Nyon servem apenas para o Porto. Como é possível a retroactividade de uma lei? Uma lei que foi criada para fazer de conta que a UEFA se indignou com o castigo interno do Milan sem consequências nas competições europeias.
Devagar, devagarinho, com silêncios e olhares desviados, com muita cobardia, o centralismo vinga-se dos anos de sucesso do Futebol Clube do Porto. Em Portugal há muita gente contente por ver o Porto fora da Liga dos Campeões. É praticamente unânime a opinião de que o FCP é o melhor clube do país e é isso que se torna difícil de suportar. Um clube regional dá o exemplo a um país inteiro e já ninguém quer saber de justiça.
A Justiça "à la carte" serve, apenas, para contentar os apetites de quem quer viver com dois pesos e duas medidas. Há tempo para provar que esta justiça não funciona. Para bem do futebol português era bom que a melhor equipa do país estivesse na Liga dos Campeões. É claro que sou portista, mas mesmo que não fosse viveria mais satisfeito se confiasse na justiça desportiva.
Silva Pires, Director Global
O nosso pequeno mundo
Ninguém poderá dizer que ficou verdadeiramente surpreendido com a condenação do FC Porto pela UEFA. O sentimento que me leva a pensar assim tem que ver com as dúvidas e as teses em que se enredaram os especialistas em Direito, que me merecem todo o respeito, mas não serão diferentes nem menos inteligentes do que os especialistas da UEFA, apenas vivem noutro mundo, o nosso pequeno mundo.
Andámos nos últimos dias perante os mais diversos cenários. Ele era o FC Porto condenado por isto, ilibado por aquilo. E eram as posições identificadas, quase sempre, com interesses, pois por cá é difícil separar paixão e razão - e a ordem é arbitrária. Estamos habituados a decisões que vão e voltam, e que se arrastam até não poder mais, às vezes até ao ponto de a culpa morrer solteira. Vivemos, justos e pecadores, no convencimento de que as influências resolvem tudo e consideramos quase todos, mal ou bem, que o poder é uma dimensão sagrada, equivalente a estar a coberto de tudo. E fingimos quase todos não saber que há muito o futebol português andava debaixo de olho.
Depois de a UEFA ter alterado os regulamentos que permitiram ao AC Milan livrar-se na Europa das consequências do calciocaos, era muito difícil não admitir a condenação do FC Porto. Condenação que vai ser proclamada como exemplo, mas que no fundo é, também, uma forma de a UEFA ajustar contas consigo própria.
O castigo do FC Porto tem de lamentar-se por todas as razões e mais uma - o que carrega de inglório perder na secretaria um direito conquistado em campo de forma superior e categórica. Não importa procurar agora culpados para a decisão que levou o clube a prescindir do recurso ao contrário do que fez o presidente. O nosso futebol é assim mesmo e, com este caso, perde tanto ou mais que o FC Porto.
Esperemos que alguém aprenda alguma coisa, seja qual for o resultado do recurso.
Artur Jorge
"Tudo terminará bem"
"Foi uma grande surpresa para mim. Ninguém esperava isto, mas é um processo que ainda está a decorrer e espero que os próximos dias sejam mais favoráveis ao FC Porto e que a Federação se porte bem. As pessoas que estiveram por detrás destas coisas todas devem estar agora muito contentes. Estou convencido de que tudo terminará bem, porque isto não tem pés nem cabeça. É preciso que o FC Porto e a UEFA tenham tudo o que é necessário para avaliar correctamente todo este imbróglio e, se calhar, não têm. Estou optimista, porque, a manter-se este cenário, seria muito mau para o futebol português e as perspectivas seriam ruinosas."
Álvaro Magalhães
"a SAD deve assumir e desandar"

"O mal estava feito desde a incrível decisão de não recorrer e que abriu uma fenda na muralha por onde penetraram todos os males, incluindo o "Cavalo de Tróia" da inveja e do ressentimento dos perdedores crónicos, que devem agora mudar o símbolo da águia para o do reles abutre. E também erguer uma estátua de Carolina Salgado à entrada do Estádio da Luz (e, já agora, um busto da dra. Morgado e outro do dr. Ricardo Costa). Quanto aos responsáveis da SAD do FC Porto, que falharam tão redonda e ingenuamente, devem assumir as responsabilidades e, de preferência, desandar rapidamente. Não pode haver 'crime' sem castigo".
Francisco José Viegas
"Falta bom senso ao futebol"
"Já esperava isto no fundo, embora tivesse a esperança de que ainda houvesse bom senso no futebol, contra o clima de ressentimento que existe. Mas se de facto o FC Porto ficar de fora da "Champions", espero que em vez de 20 termine o próximo campeonato com 30 pontos de avanço. Agora penso que o FC Porto precisa de se repensar em termos de estratégia de comunicação e comportamento, porque parece que as pessoas não se aperceberam do que estava em jogo. O clube acabou por ser condenado por um tribunal absurdo, que não aceita defesa. A parte jurídica do clube falhou, foi demasiado calculista e esqueceu que havia o nome do FC Porto a defender até ao fim."

1 comentário:

  1. Tudo directores dos jornais do grupo do Quim Golfista, é pena que o Jogo tenha feito aquela misrável 1ª página.
    A reacção do Vieira é sintomática do desespero que está a tomar conta dos benfiquistas.
    Um abraço

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