sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Texto de Pedro Marques Lopes

20/02/2015 - Extracto de Brasão abençoado – Berlim

 …Alíás, o próprio clube suíço admitiu isso, jogando como se estivesse no campo do adversário, estacionando dois autocarros em frente da sua área e distribuindo pancada como se não houvesse amanhã, com o beneplácito do árbitro


(este a vergonha dos isentos árbitros ingleses)


que conseguiu, entre outros feitos, não expulsar o Walter Samuel. Não deixa de ser também digno de nota que o Basileia tivesse mostrado, incomparavelmente, mais receio do FC Porto do que o que demonstrou pelo Liverpool ou pelo próprio Real Madrid. O FC Porto nunca deixou o Basileia atacar, mas os suíços também nunca demonstraram vontade de o fazer. O respeitinho é muito bonito. Só quem não o demonstra são os detractores habituais do FC Porto (João PimPim e João Bonzinho entre outros), os que estão sempre dispostos a apoucar os feitos europeus do clube enquanto disputam excitantes taças do Guadiana e marcam bilhetes para Moreira de Cónegos.

No jogo de quarta-feira, o FC Porto mostrou os defeitos que ainda não conseguiu corrigir e muitas das suas qualidades. A equipa teima em adormecer numa parte do jogo e oferece sempre um golito ao adversário. Se fosse a primeira vez que um adversário do FC Porto marca um golo na única oportunidade que tem, poder-se-ia falar de azar, só que não é a primeira, nem a segunda vez, longe disso.

(até posso estar errado, mas na minha opinião, o Fabiano com um pouco mais de calma e reflexos teria parado o remate do suíço que chutou mais em jeito do que em força, pois fiquei com a sensação que o Fabiano se fez à bola à ceguinho seja eu… se calhar o goal-keeper mexicano dos jovens era capaz de fazer melhor).


 Infelizmente, já é quase rotina. Depois há aspectos em que esta equipa é demasiado previsível: é fácil perceber que se bloqueia o jogo do FC Porto pressionando os centrais e que vai sempre haver um jogador a fazer um disparate na saída para o ataque.

Mas tem de ser destacada a forma como a equipa assume o jogo – o encontro de Basileia foi a prova disso – e impõe o seu ritmo. Não foi casualidade que, por exemplo, no jogo de anteontem o Basileia apenas tenha feito um remate – apesar de…
Mesmo jogando mal durante alguns períodos, mantém a sua personalidade e não prescinde dos seus princípios de jogo. A atitude, sobretudo, é de grande equipa e isso vai trazer dividendos, corra tudo dentro da normalidade, numa fase mais adiantada da maior prova de clubes do mundo e nos anos vindouros.

 
Há um modelo bem definido, movimentações bem desenhadas, os jogadores sabem perfeitamente o seu papel: há, sem dúvida, trabalho de treinador.

Temos um homem firme nas suas convicções, que sabe montar uma equipa e consciente de que está num grande clube onde tem de lutar não apenas contra as contrariedades que encontra em campo.
Falta muito, há ainda defeitos para corrigir, mas há nesta equipa e neste treinador magia de Liga de Campeões.
Dizem-me que Berlim é tão bonito em Maio…


A equipa precisa do Rúben


Não consigo compreender como é possível o Rúben não ser titular. Basta o rapaz entrar em campo e parece que a equipa respira de outra maneira, o jogo flui, a bola roda, a passagem da defesa para o ataque torna-se a coisa mais simples do mundo. Não sei em que posição do meio-campo o Rúben deve jogar, mas, valha-me Deus, bastava ver o que ele fez em Basileia para perceber que tem de jogar sempre.
Por outro lado, quantas mais vezes precisa o Casemiro de perder a bola em zonas fulcrais do campo, quantos mais passes displicentes precisa de fazer, quantas mais faltas desnecessárias precisa de cometer, para que passe uns jogos no banco?
(na minha opinião joga o Casemiro porque é mais maduro) Não consigo perceber a ausência do Rúben do onze titular, como não entendo que Herrera, na forma em que está, deixe Quintero ou, sobretudo, Evandro no banco.

(Herrera é um carregador de piano que percorre o campo todo e desestabiliza imenso os adversários)


Orgulho portista

Nem por um segundo os adeptos do FC Porto, durante o jogo de Basileia deixaram de apoiar a equipa.
Só se ouviam os cânticos portistas, quer quando o resultado não nos corria de feição, quer depois. Foi impressionante assistir, debaixo dum frio insuportável, a uma prova tão grande de amor pelo brasão abençoado.
Gente de toda a Europa veio ver o seu clube e fez do St. Jakobs uma espécie de casa emprestada. Não é que eu tivesse qualquer dúvida de que o FC Porto já não é só do Porto ou de Portugal, é, sim, um clube universal, um clube que tem muitos milhares de adeptos que nem português falam.
Foi bom ter mais uma vez vivido essa sensação e, ainda para mais, a cantar ao lado dos meus.


Tudo normal


Que interessante é ver agora tanta gente revoltada com Bruno Carvalho, o regenerador. Enquanto o presidente do Sporting insultava, dia sim dia também, o FC Porto, era um tipo fantástico, uma lufada de ar fresco, um lutador contra o status quo. Podia o individuo Carvalho chamar senil a um presidente – a que ele jamais conseguirá, sequer, vislumbrar a sola dos sapatos – que ninguém via grande mal nessa e noutras boçalidades. Era apenas um rapaz irreverente, diziam muitos com um sorrisinho cúmplice. Agora que se virou contra o Benfica, meu Deus que é o fim.
Já é um malandro, um populista, um incendiário.
Enfim, nada de novo. Nem a extraordinária incapacidade da nossa comunidade em fazer um escrutínio mínimo às pessoas que aparecem em cargos relevantes, nem o modo como vendedores da banha da cobra conseguem… vendê-la, nem sequer o modo como aparece sempre gente disposta a defender indivíduos indefensáveis, digam eles o que disserem, façam eles o que fizerem. Nem, claro está, a forma como e entidade angelical Benfica é tratada.
Num texto que Bruno Carvalho publicou no Facebook – escrito numa língua que a espaços se assemelha a português –, uma parte, digamos curiosa, sobressai.

Escreve o ex-revolucionário Bruno: “Luís Filipe Vieira andou a correr atrás de mim na Liga a tentar convencer-me a fazer uma aliança consigo e que assim poderíamos ir alternando as vitórias no campeonato.”


Na sequência desta acusação e na altura em que escrevo, várias coisas não aconteceram.
O presidente do Sporting não foi processado pelo Benfica; a Liga de Clubes não emitiu nem um comunicado alertando as instituições competentes para que seja feita uma profunda investigação; nenhum clube reagiu. Não li, nem vi (estive fora do país, pode ter acontecido) editoriais, espaços televisivos e afins a falarem deste enorme escândalo – com excepção honrosa de Bernardino Barros – e não houve nenhuma declaração do ministro da tutela.
Ou seja, o presidente duma importantíssima instituição portuguesa faz uma acusação duma enorme gravidade, uma acusação que põe em causa a competição mais importante do nosso futebol e toda a gente encolhe os ombros e assobia para o lado.

A dúvida é: deve-se pensar que Vieira quis propor uma enorme aldrabice a Bruno Carvalho e ninguém quer atuar ou devemos pensar que toda a gente acha que o presidente dum grande clube como o Sporting é inimputável?


Pedro Marques Lopes - in abola

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