terça-feira, 25 de novembro de 2014

Excerto da crónica de Miguel Sousa Tavares

25/11/2014 - Excerto da crónica “Quem semeia ventos colhe tempestades” por Miguel Sousa Tavares

 ...E, para Vieira, tudo se terá tornado definitivamente claro na hora em que a patética e ilegítima direcção da Liga, apenas apadrinhada pelo Sporting, levou o futebol profissional e a sua organização à paralisia e à beira da falência definitiva. Nessa altura, quando havia questões concretas e urgentes em cima da mesa à espera de uma solução – tais como a organização dos campeonatos, o pagamento aos árbitros, a discussão sobre direitos televisivos, a busca de patrocinadores – e quando a direcção da Liga só tratava de inventar formas de manter os tachos, o Sporting preferiu ausentar-se das reuniões e da discussão, enquanto o seu presidente se afadigava em busca de protagonismo, acorrendo a fóruns com secretários e empregados administrativos de outros clubes, participando em simpósios sobre futebol de praia no Dubai ou fazendo-se receber por esse outro grande moralizador do futebol mundial que é o Sr. Blatter e, em todo o lado, conforme abundantemente nos informam, vai sempre levar as suas propostas – já não para a regeneração do futebol português, mas sim planetário, que a alma não é pequena.
Portanto, quando foi preciso passar da propaganda à realidade, do populismo ao profissionalismo, quando a defesa do negócio comum a todos foi mais importante do que a exaltação dos egos presidenciais, Bruno de Carvalho ausentou-se, com o argumento de que não queria “discutir nomes” – isto é, queria manter os seus servidores na Liga, mesmo que, com isso, o navio fosse ao fundo.


Em vez de uma triunfal Aljubarrota, encontrou-se assim sózinho no seu Alcacer-Quibir.

Ao contrário do que as assustadas almas sportinguistas pensam, não vejo no horizonte, imediato ou próximo, nenhuma aliança “contra-natura” entre FC Porto e Benfica. Não descortino, no nevoeiro sebastiânico em que navega o presidente sportinguista, sombra das conspirações que já atribuem à dupla Benfica- Porto – tal como o mau estar, previsível e evidente, existente entre o balneário e o presidente sportinguista, depois de este ter tido a luminosa ideia de classificar os seus jogadores como “indignos da camisola”.
Vejo, sim, uma convergência de esforços entre todos os clubes profissionais que já perceberam que os tempos não são de verborreia oca, mas de acção imediata, e que, naturalmente, precisam dos maiores de entre eles a liderar o processo. E, quem está, está; quem não está, que estivesse. É líder quem lidera nos momentos de crise, não quem fica à espera de ser seguido.

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