quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Fair play financeiro é o motivo principal

02/10/2014 - Clube e SAD estão reunidas para decidir aumento de capital e a compra, pela sociedade, de até metade da EuroAntas

O FC Porto decide neste momento em assembleias gerais da SAD se avança para o aumento de capital da sociedade em 37,5 milhões de euros, através da subscrição de ações por parte do clube. Será igualmente votada, nas reuniões de acionistas e associados, a aquisição, por parte da SAD, de ações representativas de até 50 por cento do capital da EuroAntas, empresa da esfera do clube e que detém o Estádio do Dragão. Trocando por miúdos: a sociedade precisa de realizar o aumento de capital até final deste ano e a forma de o conseguir é injetando dinheiro no clube. Na prática, a um lote alargado de ações do FC Porto na estrutura acionista corresponderá a transferência de metade do capital da EuroAntas para a SAD. Esta é a questão mais sensível, uma vez que na prática significa que o Dragão deixa de estar totalmente na posse do clube (dos associados) e passa a ser partilhado com a SAD (com os acionistas).

A questão é: o que motiva esta urgência num aumento de capital?
A convocatória da assembleia geral da SAD aflora-o quando refere a necessidade de, "entre outras razões, dar cumprimento aos requisitos de fair play financeiro". É que a UEFA exige o chamado "break-even" (paridade entre receitas e despesas) no balanço de três exercícios, permitindo que dessa soma resulte um desvio máximo de cinco milhões de euros. Ora, o FC Porto apresentou lucros de 20 milhões na época passada, mas fechou 2011/12 com perdas de quase 33,5 milhões e aguarda-se que as contas a apresentar ainda este mês rondem valores muito similares. Há perspetivas de incumprimento que têm de ser contornadas e um desses mecanismos é através de um aumento de capital. E, se isso é fácil para os magnatas (que se limitam a injetar dinheiro), torna-se menos linear para estruturas como a do FC Porto (onde não existem mecenas).

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