sábado, 12 de julho de 2008

Obsessão benfiquista


Adversários

Jorge Maia

Pirro, um general grego da antiguidade, sublinhe-se, sofreu tantas baixas no seu exército para conseguir vencer uma batalha contra os romanos que no final terá exclamado: "Mais uma vitória como esta e estou perdido". Ora, parece-me que o Benfica investiu tanta energia nesta mais recente guerra com o FC Porto que as consequências de uma eventual vitória dos encarnados são mais ou menos imprevisíveis. E nem sequer me refiro a eventuais dúvidas sobre a maturidade do projecto benfiquista - que parece renascer das cinzas a cada semestre sob o nome de "Novo Benfica" como se não fosse do "Velho Benfica" que os benfiquistas têm saudades - para disputar a Liga dos Campeões em simultâneo com o campeonato, a Taça de Portugal e a Taça da Liga.
O que me parece é que os dirigentes encarnados estão tão empenhados na guerra com o FC Porto que correm o risco de esquecer que o campeonato se disputa em mais frentes. Tome-se a última temporada como exemplo. Mesmo retirando o FC Porto da equação, tal como os responsáveis encarnados esperam conseguir na UEFA, o Benfica não conseguiria melhor do que o terceiro lugar atrás do Sporting e do Guimarães. E, se este ano o terceiro lugar no campeonato ainda garante o acesso à terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões, graças especialmente aos pontos acumulados pelo FC Porto nas competições europeias, o mesmo não será verdade na próxima temporada. Isto tudo para sublinhar que, mesmo admitindo que o FC Porto é o maior dos problemas e o mais complicado dos adversários do Benfica, está longe de ser o único. Por muito que essa ideia sirva as necessidades de mobilização dos encarnados.

Curiosidade
Amanhã, os dragões não treinam durante a manhã, pois disputam o primeiro jogo em terras germânicas, frente aos amadores do Gutersloh, às 17 horas, 16 em Portugal.

1 comentário:

  1. Lá está, Jorge Maia tornou-se, merecidamente, num dos grandes defensores do Porto. Mordaz, usando a ironia como arma de arremesso, consegue colocar a nú as patéticas fragilidades dos adversários. Mais uma vez.

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