quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Extractos de três notáveis jornalistas

Miguel Sousa Tavares - ( extracto)

Desmonta manobra sportinguista


3 – Confesso que, na semana passada, com uma viagem pelo meio logo a seguir aos jogos da Taça da Liga, perdi os detalhes do que realmente tinha acontecido e escrevi com base no que vira alegado pelo Sporting e convencido de que a história dos atrasos não passava dum fait divers ridículo, motivado por uma reacção a quente de quem vira o pássaro voar-lhe das mãos no último instante.
Mas, depois, descobri que: a) o jogo do Dragão começara apenas com 2. 45 minutos de atraso e não 4 ou 5 – e que não dava para perceber que influência isso poderá ter tido, tanto mais que ao intervalo o Porto perdia 2-1 e o Sporting estava empatado; b) que a segunda parte no Dragão começara apenas com 45 segundos (45 segundos!) de atraso e não por responsabilidade do Porto, que até fora a primeira equipa a regressar a campo. À vista destes factos, fiquei sem entender como é que alguém poderia pretender que o FC Porto promoveu um atraso com dolo e destinado a retirar daí vantagens? 45 segundos de diferença? Então e quando os jogos da Taça da Liga, do campeonato, da Taça de Portugal, são disputados em horários e até em dias diferentes? Que mundo de vantagens não se retira daí! E quem é que as retira – quem joga antes ou quem joga depois?
Como disse, julguei que tudo não passava de um episódio ridículo, de mau perder, parte da estratégia de chicana permanente do presidente do Sporting, para consumo interno. Mas quando vi a Liga do Sr. Mário Figueiredo (olha quem!) chamar a si as gravíssimas suspeitas sportinguistas, quando vi até um homem civilizado, cordato, juiz de um Tribunal Superior, como Abrantes Mendes, sem sequer conhecer os factos concretos da acusação, muito menos a defesa, e sem querer saber da existência de uma relação de causa-efeito, declarar que “os factos falam por si” e logo decretar a sentença condenatória dos malandros portistas, aí parei para pensar melhor.
E, pensando melhor, venho pedir desculpa por dizer isto: acho que nunca assisti a episódio mais ridículo sim, mas também mais eloquente do que a cegueira clubística, o antidesportivismo, o fanatismo mais primário e, em algumas reacções, a pura e simples desonestidade intelectual. Querem ganhar na secretaria? Façam favor. Ganham hoje e a seguir vão precisar de anos para conseguir apagar a vitória das memórias de toda a gente.

António Simões (exorta PC a tomar uma decisão)

…E eu na dúvida: se vai esperar que o empurrem – ou se atira você mesmo, já à salvação. Uma coisa eu sei: se demorar muito mais tempo a mergulhar nas águas revoltas desse turvo azul pode não ser só a criança a perder-se ... (Você me entende né?)
…Nélson Rodrigues (o dramaturgo que era um anjo pornográfico e que escrevendo sobre futebol tinha linha sempre aberta na sua cabeça: que, no futebol, opior cegoé o que só vê a bola – ou o seu ego…)
Manuel Martins de Sá – Chão que deu uvas (extracto)


Para digerir e meditar -neste momento já há quem ponha em causa o discernimento, a capacidade do grande timoneiro, que foi ou ainda será?

1 - A tão propalada e decantada estrutura administrativa do FC Porto (a técnica, como se sabe, deu baixa em combate) foi chão que deu uvas. Esta era uma boa altura para Pinto da Costa sair de cena, porque já não está a servir mas sim a servir-se do clube. Não o fazendo, desperdiça uma soberana ocasião de se retirar em glória e assim receber o merecidíssimo e grandioso tributo de gratidão que todo o universo portista lhe dedica. O caso de Fernando do seu impensável e ingénuo amadorismo actual: quem é que hoje se pode fiar, como ele aparentemente fiou, na palavra de um jogador de futebol e do seu empresário António Araújo quando em jogo estão tantos milhões de euros que fascinam e cegam qualquer mortal? Um dirigente com a sua experiência tinha de ter acautelado com um compromisso formal escrito, porque desde há muito se percebia que o brasileiro estava decidido a bater com a porta na primeira ocasião. Em suma, se aferíssemos a competência de cada um pelos resultados do mercado de inverno, concluiríamos que Bruno Carvalho e Luís Filipe Vieira (este com a preciosa muleta de Jorge Mendes) já dão lições a Pinto da Costa.

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