terça-feira, 22 de julho de 2014

“Business as usual” extracto da crónica de Miguel Sousa Tavares

22/07/2014 - Os excertos da crónica que segundo o meu critério merecem relevo

Nortada – “Business as usual” extracto da habitual crónica de Miguel Sousa Tavares

Comecemos pela anunciada iminente falência da própria Liga de clubes, que obrigou o seu presidente, o notável Mário Figueiredo, a ter de fazer uma insólita declaração de que os campeonatos não estavam em risco. Porém, ao que parece, tal declaração não terá tranquilizado ninguém, pois que, como aqui se explicava há dias, consta que, enquanto o seu presidente continua a auferir o seu generoso salário e a usufruir de motorista em carro topo de gama, os funcionários da Liga já não receberão salários e os fornecedores não são pagos – todos à espera que o Sr. Figueiredo produza a montanha de dinheiro que prometeu sacar à Olivedesportos pelas transmissões televisivas, e assim sem mais. Este homem, passe o seu descaramento, é, de facto, um fenómeno: deve ser o único presidente de uma qualquer instituição planetária que conseguiu manter-se em funções porque o seu presidente da Assembleia Geral recusou-se sistematicamente a convocar uma assembleia para o destituir, invocando sucessivos pretextos jurídicos, até terminar num deveras inatacável: ele não concordava com as razões para a destituição e era ele, não os sócios, que tinha de concordar. Depois, ainda teve o topete de se reapresentar a eleições e, sempre contando com a mesma ajuda, inventou um esquema infalível para evitar a sua mais do que certa derrota, qual foi o de declarar irregulares todas as candidaturas menos a sua. E, assim reeleito com 25% dos votos, incluindo o do Sporting, cujo presidente viu nele o verdadeiro símbolo da transparência no futebol, o papel higiénico capaz de limpar as emanações escatológicas do orifício anal (conforme explicou num discurso que para sempre marcará a história do nosso futebol e dos seus dirigentes), o Sr. Mário Figueiredo aí está, firme como uma rocha, a fazer da Liga de Clubes um cadáver adiado, cuja única razão de ser reduz-se a manter o seu próprio tacho e fazer os favores necessários aos clubes que o apoiarem, com o Sporting à cabeça e o Benfica na expectativa. Anuncia-se um desastre inaudito: talvez a suspensão ou anulação do campeonato, aí por alturas do Natal, quando se perceber que o Sporting não vai ser campeão. Seria mais uma fórmula inédita de garantir a transparência.

 2 –
Lá pela minha terra, no meu clube, sucedem-se as revoadas de contratações (justificadas e assertivas, Miguel) que tanto animam e agitam os dirigentes nesta época do ano. Desta vez, parece que a animação é maior do que nunca, com cenas de bofetadas, de insultos e de chega-para-lá entre empresários e dirigentes (!). Segundo relatam os jornais, guerra intestina estará a ser ganha pelo ex-filho pródigo do presidente, regressado em força e em grande estilo para prestar ao clube os relevantes serviços que os sócios tão bem conhecem do passado. Mas não hei-de morrer sem ver o meu clube ser dirigido por gente que nada queira ganhar com ele (lirismo do Miguel porque não existe no mundo tal gente).
Do novo treinador e dos reforços, nada posso dizer, por enquanto (mas podemos nós os adeptos mais atentos garantir a sua qualidade). A verdade é que não conheço um nem os outros. Gosto que a escolha tenha recaído num estrangeiro, mas, como todos, sinto alguma apreensão por se tratar de alguém que vai aprender agora a treinar um clube, e não já selecções jovens. Quanto aos reforços, dizem-me que são bons e eu quero crer que sim, mas també sinto alguma apreensão, pela sustentabilidade dos investimentos feitos num clube em pré-falência, como todos, e que, mais uma vez, dá indicações de ir desprezar as escolas de formação do clube, a experiência da equipa B e o mais defunto projecto Dragon Force. Os clubes estão cheios de boas intenções que, na época dos negócios, são rapidamente esquecidas. (resultante de falta informação ao Miguel)
Neste momento, e sem ainda ter visto nada, o que tenho de mais sólido e esperançoso, a nível de reforço da época portista, é o desmembrar da grande equipa que o Benfica tinha e uma vaga, ténue possibilidade, (mas em que francamente não acredito) da venda de Varela e Defour (este último, com uma única aparição no Mundial, onde revelou o seu ponto mais forte, já conhecido dos portistas, que é a de se fazer expulsar ainda na primeira parte dos jogos mais importantes). De resto, duas certezas: uma, a de a língua oficial do clube, este ano, é o espanhol; e outra, a de que não vai ser fácil preencher a quota de jogadores formados no clube, para efeitos de inscrição na Champions. Aliás, a entrada no quadro final desta competição, ultrapassando a pré-eliminatória, vai ser, desde logo, o primeiro objectivo a atingir na época, sob pena de as grandes expectativas que se estão a criar levarem logo um forte e traumático rombo inicial.
3 – Grande parte destes negócios de compra e venda de jogadores, sobretudo nos grandes, passa por essa entidade misteriosa que são os fundos de jogadores….

4 – Muito cautelosas e avisadas as declarações iniciais dos treinadores dos três principais e crónicos candidatos ao título. Julien Lopetegui mostrando-se satisfeito com a evolução dos trabalhos e com a equipa que terá ao dispor – grande parte dela escolhida a dedo por si. Jorge Jesus assistindo, sem angústias aparentes, ao desmoronar da equipa que na época passada tinha ao dispor, dizendo que o Benfica está a pagar o preço do sucesso. E Marco Silva recusando, com a elegância que sempre mostrou, o favoritismo que os dirigentes do clube querem atribuira ao Sporting – como de costume, sem se preocuparem em levar em conta o que os rivais possam fazer. Oxalá todos mantenham a mesma contenção ao longo da época, a benefício de uma disputa sem golpes baixos, imune à histeria e desejo de protagonismo dos dirigentes.


Miguel, os sócios adeptos e simpatizantes do FC Porto estão empolgados sem euforia desmedida e creio que têm razões para isso, por tanto calma que esta época temos tudo para chegarmos ao TOP.

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